terça-feira, 12 de maio de 2009

Bem-vindos à bordo...do trem


Usuários acostumados à classe executiva nos vôos do aeroporto de Cumbica, terão que se contentar com um serviço de transporte de trem da CPTM até o local.

Com um ano de atraso, o regulamento para o início das operações do chamado "Expresso Aeroporto", saiu do papel pelas mãos do governo do Estado de São Paulo. O projeto que visa implantar trens desde a região central até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, estará disponível entre 2012 e 2013. Antes claro, da Copa do Mundo de Futebol, como bem ressalta o site do jornal O Estado de S. Paulo.

Com uma tarifa ainda não definida, mas cujo teto está estipulado em R$35, o novo tranporte deve indenizar os passageiros que se sentirem lesados por atrasos superiores a 20 minutos. O governo abriu licitação para a realização do projeto, que deverá desapropriar imóveis entre as estações Engenheiro Gualberto e USP-Leste.

Pra Inglês ver?
A título de comparação com o novo sistema de transporte "oferecido" pelo governo do Estado de São Paulo, tem-se os novos trens do metrô, instalados somente na linha 2 Verde, trecho atrator do turismo internacional além de reduto cultural e artístico da cidade.

Por isso, fica a questão: não será uma ironia este transporte operar no sistema de trens da CPTM, cuja grande maioria dos usuários mal dá conta de arcar com os custos da passagem do trem comum?

Das duas uma: ou governo e prefeitura estão se preocupando mais com o conforto de quem visita São Paulo do que com a vida dos "filhos dessa pátria amada", ou só conseguem enxergar 2010 no calendário.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Portas fechadas ao fumo


Não adianta resistir, o governo de São Paulo deseja pôr fim às cortinas de fumaça que assolam o estado em locais de uso coletivo. A lei antifumo, que será sancionada ainda nesta semana pelo governador José Serra, promete ser dura em suas punições.

A referida legislação fechará as portas dos estabelecimentos que insistirem no uso do tabaco por no mínimo 48 horas e no máximo um mês. Tal punição, segundo Luiz Roberto Barata, secretário de Estado da Saúde, será aplicada no caso de uma terceira autuação do estabelecimento, substituindo o valor da segunda, de R$1580. Ainda de acordo com Barata, a ideia surgiu do receio que os empresários possuem de ter prejuízos com o fechamento das portas.

Resultado da fusão com legislações internacionais, a nova lei antifumo visa evitar de qualquer forma, o fumo passivo, ou seja, a inalação da fumaça do tabaco por quem não é fumante.

Todavia, apesar dos nobres ideais...
... é necessário admitir que a legislação não deve ser dura por si só. Ela deve vir acompanhada de políticas públicas que apontem para a causa do antitabagismo, bem como o investimento no tratamento púlbico dos males causados pelo tabaco. Para além disso, é necessário pensar em uma legislação que não atropele os investimentos e lucros de São Paulo gerados a partir de festas e eventos com sede no Estado.

Sem regras para jogar


É essa a expressão adequada para descrever o atual período da imprensa brasileira. Reconhecida oficialmente em 30 de abril durante sessão do STF, a inconstitucionalidade (vulgo enferrujamento) da Lei de Imprensa no país, fez com que o exercício da profissão caísse em uma superfície oca, onde em tese, "tudo pode".

Usando como justificativa o fato de que a referida lei tem origem no período militar e está em descompasso com a atual Constituição, a patota de Carlos Ayres Britto (ministro do Supremo)conseguiu a derrocada da legislação que regulamentou a profissão nas últimas 4 décadas.

Com isso, a prática jornalística passa a ser regulamentada pelas leis do Código Penal (?), nos casos de injúria, calúnia e difamação, o qual possui menor rigor que a lei extinta. Já nos casos de danos morais, a base de julgamento será o Código Civil(??).

De qualquer forma, a extinção da lei de imprensa não pode ser compensada apenas com esses pilares. É necessário que o Sindicato dos Jornalistas e as entidades ligadas a classe lutem por uma rápida manobra nesse processo, com a criação de uma nova legislação. Caso contrário, continuaremos sem saber se peão anda em linha reta e se cavalo come seu opositor em "L" nesse tabuleiro de dúvidas que se tornou a imprensa nacional.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ensino Médio "Inovador"


O MEC (Ministério da Educação) vive uma temporada de transformações em 2009. Como se não bastasse o projeto que apresentou em abril sobre uma "revolução" na tradicional prova do Enem(Exame Nacional do Ensino Médio), agora anunciou mudanças profundas no sistema do antigo segundo grau. Mudanças essas, que compõem um pacote de medidas, cujo resultado é algo que o governo denominou "Ensino Médio Inovador".

O "novo" Ensino Médio tem como principal objetivo acabar com a divisão de disciplinas feita até então e, segundo a secretária do Ensino Básico do MEC, Maria do Pilar, ajudar o aluno a "fazer a relação entre as matérias aprendidas e o rio que passa ao lado da escola". A nova proposta do Ensino Médio, estaria assim, no mesmo passo que o novo Enem, cuja proposta se mostra de um lado afeita à relação dos conhecimentos, e de outro à profundidade, sem no entanto, gerar a mal vista divisão das matérias.

Embora o novo pacote ainda precise passar por uma análise do Congresso Nacional de Educação nesta terça-feira, 5, o MEC já propõe incentivos de verbas para os Estados que aderirem à proposta, uma vez que estes tem autonomia para decidir sobre a questão.

Mas, e na prática?

Tirando o lado técnico da coisa, é importante colocar duas questões mais amplas. As mudanças implementadas por este novo Ensino Médio realmente preparam TODOS os alunos para pleitear em pé de igualdade uma vaga na universidade, de acordo com os moldes do novo Enem? E se sim, para quais rumos estas mudanças estão conduzindo a educação brasileira?

Sem vergonha do peso



As pessoas obesas já podem acessar o transporte público de São Paulo sem enfrentar tantos trantornos. O metrô da cidade iniciou no último mês de março a implantação de bancos especiais nos 113 trens e plataformas de suas 55 estações para este tipo de usuário. Até julho, a meta é a instalação de 350 bancos como esse, cuja medida (90 cm) é o dobro da do convencional.

Parabéns ao governo de São Paulo pela atitude. Porque? É simples.O governo canadense tinha o mesmo problema em mãos, mas resolveu de outra maneira. A Suprema Corte daquele país decidiu em janeiro de 2008 que as pessoas obesas deveriam pagar duas passagens para conquistarem o "direito" de ocupar mais de um assento, caso necessário. Decisão que além de constrangedora, causou processos por abuso de poder e discriminação.

Agindo assim, o governo de São Paulo, além de evitar a situação desconfortável gerada pela decisão do governo canadense, também se enquadra nas normas internacionais de sinalização por cor (azul) para assentos especiais. Resta agora fiscalizar os prazos de implantação desse assento e reivindicar sua disseminação nas outras formas de transporte coletivo.

domingo, 3 de maio de 2009

Vírus da (des)informação


A gripe suína, ou Influenza A (para você que não atribui culpa a quem não a tem), possui como epicentro a América do Norte e gerou baixas nos EUA, México e Colômbia. Mas, estamos na era digital e as coisas não são tão simples. Fronteiras diminuem, repertórios são simplificados e pessoas dizem tudo a todo tempo.Assim, embora a mais variada gama de especialistas esteja orientando a população em séries, colunas e programas de abrangência massiva, parece que a audiência está voltada mesmo para o que dizem os boletins da Internet.


Tendenciosos ou não, estes boletins são em sua maioria, drops superficiais da situação como um todo. Os mesmos são, responsáveis pela disseminação de um outro vírus: o da (des)informação.O mal gera desespero e o principal sintoma é a busca desenfreada e a qualquer preço pela informação relevante.


Assim, mesmo com governos intensificando suas ações para lidar com essa velha-nova versão de gripe, a Internet é fonte de informação e interação para uma boa parte da população mundial. Portanto, é necessário bem mais que máscaras e vacinas para superar a Influenza A. É necessário um antivírus pessoal, capaz de filtrar informação e evitar a propagação do vírus da (des)informação digital.