segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A foice, a folha e a luta de classes

Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima ou simplesmente Marina Silva, 51, decidiu sair do muro. Senadora pelo Estado do Acre, a mulher dos 100 mil dólares em prêmios por sua luta ambiental decidiu assumir a verdadeira identidade política. No último dia 19, Marina Silva anunciou sua desfiliação ao Partido dos Trabalhadores (PT) que a abrigou há mais de trinta anos, quando abandonou a casa dos pais e a vida no seringal. Sua nova casa é agora, o Partido Verde.

Mas, sua decisão teve um peso.Apesar de contar com o apoio popular em virtude da origem humilde, Marina deve aguardar um 2010 recheado de embates com a "ex-companheira" de legenda, Dilma Roussef. Isso porque mais que bandeira política, Dilma e Marina compartilharam o ideal socialista. Mesmo filha de uma classe média loira de olhos azuis, após a morte do pai, Dilma trocou o piano e o ballet pela foice e as canções operárias.

Sem dúvida, a migração de Marina deixou mais que saudades de alguns companheiros.E é neste contexto que o ano vidouro se avizinha, trazendo consigo além da costumeira disputa eleitoral, choques pessoais. Trazendo à tona, em suma, a velha luta de classes, há muito proposta por um tal Karl Marx.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um show de aula


Segundo estudo publicado pelos meios de comunicação na última segunda-feira (24), a solução para as "tranquilas" salas de aula deste país, seria o uso do microfone pelos professores. A orientação é da coordenadora do estudo, Mara Behlau. De acordo com ela, é necessário adotar medidas como esta para remediar o quadro atual, tanto na esfera pública, quanto privada.

Mas, alto lá!

Sérgio Buarque saberia que isso é uma falácia. Já não é de hoje que o "típico brasileiro" confunde os dois lados da moeda. As medidas adotadas em um, não necessariamente se adequam ao outro. Mesmo porque, o número de alunos em sala e as condições do ambiente (só para citar dois fatores), são indiscutivelmente discrepantes de um para outro. Isso é um ponto.

Outro ponto é o fato de que, essa conclusão comprova a banalização do ensino atual ,uma vez que docentes aceitam a derrota na batalha contra a indisciplina.

Além disso, será necessária a longo prazo,a potencialização do volume do tal aparato para a voz. Assim, não será difícil confundir uma sala de aula com uma arena de shows. Shows de choro, tristeza e lamentação.

Tsc, tsc...

domingo, 23 de agosto de 2009

Um muro que une

Há pouco mais de 4 décadas, erguia-se um muro. Um muro símbolo do preconceito e da intolerância para com as diferenças. O mundo estava claramente bipolarizado e o que menos precisávamos era de uma guerra. Mesmo Fria, ela veio. Com sua queda depois de quase 30 anos e com a chamada globalização, algo fica claro: matou-se muito, por pouco. Condenou-se muitos inocentes. Em suma, escolheu-se o singular em detrimento do plural. E pagamos por isso até hoje.

Luz negra

Mas, a humanidade enxergou uma luz no fim do túnel. Usain Bolt, um atleta jamaicano de apenas 22 anos, fez abrir os olhos de muitos que estavam nas trevas. Presenteado com um pedaço do famoso muro decorado com um grafite de si mesmo , fez justiça sem levantar um dedo. Em vez de massas, movimentou músculos. No lugar da violência, usou força e técnica.

Porém, não há motivo para comemorar. Na mesma cerimônia que homenageou Bolt, sua mãe foi discriminada. Sem identificação, por pouco não se tornou vítima da mídia e polícia locais.
O muro realmente caiu. Contudo, a poeira que levantou deixou cheiro de sangue e o sabor amargo do preconceito na boca de quem convive com ele diariamente.

domingo, 2 de agosto de 2009

O filho é seu, caro companheiro


Nos últimos tempos o "companheiro" Sarney teve sua conduta política reprovada por grande parte da população "deste país". Envolvido em denúncias de atos secretos e nepotismo, o atual presidente da mais alta corte legislativa perdeu-se na prática do coronelismo.

Prática esta que, aliás, disseminou-se em territórios paternalistas do Brasil do Bolsa-Família. Brasil que, por sua vez, é pano de fundo da vida do ex-companheiro operário e alvo da cultura de mando da família Sarney até os dias que se transcorrem. O mesmo Brasil pensa ser dois. E ambos tem fome ( que não é Zero) de destruir suas respectivas oposições.

O início e o fim

Os dois Brasis até já tiveram bons momentos. Ajudaram a cessar a impunidade e conduziram um processo de redemocratização. Sim, mas as crises chegam. E agora está claro: cada um com seus problemas. Debaixo de tetos diferentes, o antigo enlace comprova o ditado: quem pariu que se responsabilize.